11 de dez de 2016

Nome social em faculdades particulares.



Hoje foi a segunda vez que eu tive problema com "nome social" em faculdade particular.

O primeiro problema (com uma faculdade diferente) foi esse aqui: http://trans-tornada.blogspot.com.br/2016/11/nome-social-em-ambientes-educacionais.html?m=1

Já hoje, fui fazer o vestibular de uma faculdade particular de Olinda,  tudo ok até ai.

Fui para a fila pra poder entrar nas salas e fazer a prova, quando chegou minha vez de passar na catraca a mulher pediu a ficha de inscrição e a identidade, onde com todo mundo, ela olhou apenas o nome na ficha e o nome na identidade, já comigo ela virou minha carteira de identidade para ver a foto.

Ela estendia o braço pra ver de longe, depois ficava vendo de perto e me olhava de cima a baixo, isso se repetiu diversas vezes, detalhe: Minha ficha de inscrição tinha meu nome social e meu nome de registro, então era mesmo necessário isso tudo? 

Quando ela finalmente me deixou passar,  eu comecei a seguir para onde ia fazer a prova e encontrei uma sala chamada "coordenação vestibular", me sentindo mal com tudo que tinha acontecido, entrei nela e perguntei se podia reportar um problema a alguém, logo apareceu uma mulher e me perguntou o que aconteceu, eu expliquei tudo e a resposta dela foi: "Mas sua foto é muito diferente de você?" Eu fiquei tão abismada com tamanha indiscrição que não soube o que falar, logo depois apareceu uma garota mais jovem que tentou me ajudar e foi comigo até a minha sala para eu entrar.

Chegando lá, estava se formando uma fila para entrar na sala, eu entrei na fila e na minha vez de entrar na sala, o moço, provavelmente chefe de sala, não sei, procurou meu nome na lista e enquanto procurava ele falou "fulano de tal não tá na lista", a garota que estava me acompanhando disse "é pelo nome social", isso em frente de diversas pessoas, e com uma fila atrás de mim, e adivinhem? Não acharam meu nome.

Logo depois, outro cara apareceu, e me dirigiu a outra sala menor, com menos pessoas e pediu desculpas por tudo que havia acontecido.

Novamente falo:
"Se entrando numa faculdade que respeita nosso nome e a nossa identidade a gente já iria sofrer chacotas e violências transfobicas, imagina entrar numa faculdade que nem nosso nome respeita?

Excluir pessoas trans e seus direitos não é exclusividade de apenas uma faculdade, esse é o retrato de várias ao redor do Brasil.

A gente quer estudar. É um direito básico, e a gente quer respeito, e isso é questão de DIGNIDADE."


P.S: Não to aqui pra falar mal da faculdade e sim alertar que uma coisa tão simples, sem necessidade de tanto drama é um problema pra faculdades.

Beijos.

3 comentários:

  1. Isso me lembrou quando a Shelida, uma amiga minha, na verdade minha caloura na UERJ, solicitou o direito dela de usar o nome social na Universidade, a mulher do departamento a olhou de cima a baixo e perguntou se "isso era lei", Shelida é uma das mulheres mais inteligentes que eu conheci nessa vida, ela levou lei, diário oficial, decreto da universidade tudo e ainda falou "outras vão vir". Fato é que mesmo minha faculdade, Pedagogia, ser uma das que mais se discutia gênero, acabamos por descobrir que alguns dos nossos professores eram muito preconceituosos a ponto de uma outra aluna denunciar os casos de transfobia no conselho universitário e constranger meio mundo. Você não imagina o orgulho que eu sinto de ter conhecer essas moças. Anne gratidão por suas histórias e que assim como a Shelida você derrube meio mundo se necessário, sabe toda vez que eu leio suas histórias eu fico imaginando como foram as histórias das minhas amigas, é meio desesperador. Que você sonhe, lute, brilhe, afinal estrelas brilham muito, que você tenha sempre muitos amores, muitos amigos e muitos braços.!!! Você é disso eu tenho certeza motivo de muito orgulho e inspiração para muita gente.

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  2. As faculdades particulares são obrigadas a aceitar o uso de nome social?

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